segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Emergência - para onde ligar

Está com uma emergência na Bélgica? Precisa de ajuda? Não sabe para onde ligar em caso de emergência?

Essas informações são úteis para qualquer um, turista ou residente. Por isso deixo aqui uma lista de números emergenciais. Lembrando que aqui podem responder em francês ou holandês, mas nem por isso desista, numa emergência ligue, use estes telefones, fale em português, inglês, qualquer língua, do outro lado da linha eles vão achar uma maneira de ajudar.

  • 112 - Todo tipo de emergência! Se tiver memória ruim, tente guardar só este número, ele é válido para toda a Europa e serve para qualquer tipo de emergência, seja polícia, ambulância, bombeiro...
  • 100 - ambulância e bombeiro.
  • 101 - polícia.
Outros tipos de ajuda

  • 106 - Recepção telefônica: dificuldades da vida, falar é o primeiro passo.
  • 102 - Awel: número de ajuda para crianças e jovens.
  • 116 000 - Criança em foco: Centro Europeu de Crianças desaparecidas e/ou sexualmente exploradas.
  • 105 - Cruz Vermelha: assistência em desastres e socorros.
  • 070 245 245 - Centro de Envenenamento.
  • 1813 - Prevenção ao Suicídio: anônimo.
  • 0800 15 802 - Fundação contra o Câncer.
  • 1712 - Central de Confiabilidade: abuso infantil, para informações, conselhos, ajuda ou conjetura.
  • 078 15 15 15 - Sexo Seguro, Aids e DSTs: informações sobre sexo seguro, aids, e outras doenças sexualmente transmissíveis.  
  • 078 15 10 20 - Drogas e álcool: informações e ajuda. 
  • 070 344 344 - Bloquear cartão: em caso de perda ou roubo de cartões bancários, serviço disponível 24h.
  • 1207 - Páginas Amarelas: guia telefônico.
  • 1700 - Linha de informações de Flandres.
  • 078 15 20 25 - Telefone Línguas: serviço do governo de Flandres.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Gent: tudo o que você precisa saber

Já pensou em visitar Gent? Única cidade belga a possuir um castelo medieval!
Foi cenário do filme Emperor este ano, filme americano com previsão de lançamento para 2017.

Gent foi uma das cidades mais importantes do mundo durante a Idade Média, com construções monumentais e obras de arte mundialmente famosas do mesmo período de Michelangelo e Da Vinci, já foi mais importante que Paris.
Se interessou? Então veja as dicas abaixo para uma visita completa.

Gravensteen. Arquivo pessoal.

Gent (em holandês, língua local), Ghent (inglês) e Gand (francês). Anote bem estes nomes, podem ser importantes na hora de seguir placas ou pegar transporte público. Tamanho: pequena o suficiente para fazer tudo a pé em um único dia.

Como chegar: Descer na estação de trem central Sint-Pieterstation. Saindo da estação, à esquerda, pegue o tram (bonde) linha 1 sentido Evergem e desça quando avistar a primeira grande igreja (parada St-Niklaasstraat).

O que ver em Gent:

1.  St.-Niklaaskerk (igreja São Nicolau).
A majestosa igreja São Nicolau fica bem no coração do centro histórico, em frente a praça Korenmarkt.

Vista de frente/vista dos fundos
2. Korenmarkt e antigo prédio dos correios.
A praça Korenmarkt (koren = grãos, markt = mercado) é a praça mais importante de Gent. Antigamente era onde se comercializava grãos, hoje abriga diversos restaurantes de comidas típicas ou de fast-food. A maioria das construções ainda conservam seu aspecto original. O majestoso prédio com a torre do relógio, em frente à igreja, abrigava o antigo Correio, construído entre 1898 e 1910. Hoje está em reforma para virar um shopping center. 

Antigo prédio do correio de Gent durante o festival de luzes. Foto do site: zoalswindenwater.blogspot.be/
Da esquerda para a direita: Igreja de São Nicolau, Torre Belfort, Catedral St. Bavon, em frente loja de chocolate, e à direita Igreja de São Micael. Vista sentido Korenmarkt Arquivo pessoal.
3. Ponte St. Michielshelling e St.-Michielskerk (igreja de São Micael).
Ao lado do prédio dos correios fica a ponte St.Michielshelling com uma vista surpreendente das famosas ruas Graslei e Korenlei ao longo do rio Leie com casinhas típicas de outrora, e ao fundo o imponente castelo medieval Gravensteen. Do outro lado da ponte fica a maravilhosa igreja Michielkerk.

Vista para a ponte St. Michielshelling, à esquerda os fundos do prédio dos correios,
à direita um pedacinho da igreja São Micael.
E foi esta ponte que recebeu os holofotes do cinema. Em agosto deste ano foram gravadas cenas para o filme Emperor.

Gravação do filme Emperor em Gent. Imagem do site s1.nieuwsbladcdn.be
4. Korenlei e Graslei (margem esquerda e margem direita do rio Leie).
Um dos cenários mais bonitos e famosos de Gent. As duas margens têm construções típicas medievais, que hoje são restaurantes, cafés, hotéis e até museus. O hotel Mariott, em Korenlei, preserva uma dessas casas típicas, apesar de parecer pequeno, não se engane, ao entrar você vai se deparar com uma construção moderna, uma sensação de que você saiu da era medieval para entrar no século XIX.
Graslei, o outro lado da margem, é a vista mais bonita de Gent, imagem de cartões postais. Vale uma visita principalmente ao cair da noite, quando tudo é iluminado.


Rio Leie, Gent. Imagem do site neverstoptraveling.com
5. Castelo Gravensteen.
O castelo medieval já serviu de moradia, prisão, fábrica têxtil, casa de tortura, e hoje é um museu. A entrada sai por 10 euros! Este é imperdível. Toda vez que passo em frente ainda paro para admirar sua magnitude e beleza.

Entrada do Castelo Gravensteen. Imagem do site orangesmile.com


6. Vismarkt (antigo mercado de peixes) e Vleesmarkt (antigo mercado de carnes).
Quase em frente ao castelo fica o Vismarkt, que hoje é um bar/brasserie e salão para festas e eventos. Atravessante a ponte sentido centro, logo à direita, você dará de cara o Vleesmarkt, com pedaços de carne pendurados no teto representando a origem do local, hoje abriga bares e lojinhas.

              Vismarkt e Vleesmarkt 
7. Vrijdagmarkt (praça mercado sexta-feira).
Toda sexta ainda é montado um mercado ao ar livre, onde são vendidas frutas, carnes, peixes e objetos diversos. No meio da praça está a estátua de Jacob van Artevelde. A praça é cercada por casas antigas, típicas. É uma das praças mais bonitas da cidade, onde se vê a riqueza do passado. 

Vrijdagmarkt. Imagem do site: visit.gent.be
8. St. Jacobskerk (igreja de São João e a vida noturna nos arredores)
A igreja de St. Jacobs é mais modesta em comparação as outras da cidade, mas nos seus arredores está a vida noturna de Gent, com bares famosos da região como o Les Amis, Charlatan, Kinky Star entre outros.
St. Jacobskerk. Imagem do site compostelagenootschap.be
9. Torre Belfort.
A torre era o antigo local de vigia para a proteção da cidade. Hoje é um dos locais para se visitar e ter uma vista panorâmica da cidade. No último andar fica uma caixa de música enorme, maior que uma pessoa, ligado a um relógio mecânico e aos sinos da torre. A cada 15 minutos é possível ouvir a música. 
Reparou no dragão no topo da torre? Ele é o símbolo de Gent, e na Idade Média servia para assustar os inimigos. O xodózinho dos habitantes de Gent.

Torre Belfort e seu dragão. Imagens respectivamente dos sites:
 upload.wikimedia.org e www.belgiumview.com
10. St.-Baafskathedraal (catedral de São Bavon)
A majestosa catedral abriga uma das pinturas mais famosas do mundo. A obra Adoration of the Lamb, pintada de 1420 a 1432 por Jan e Hubert van Eyck. Em 1934, o painel "the just judges" foi roubado e até hoje continua desaparecido. A cada 10 anos novas hipóteses de seu paradeiro são trazidas a público, mas até hoje continua um mistério. Mas não se preocupe, uma réplica foi colocada no lugar, assim não se perde o todo.

O painel roubado é o do canto inferior esquerdo. Imagem do site media.npr.org
11. Palacete Geeraard de Duivelsteen.
Já foi residência de cavaleiros, mosteiro, escola, seminário diocesano, asilo de loucos, prisão... Hoje serve como abrigo dos arquivos estaduais. Em frente, do outro lado do rio, fica uma das escolas de comércio mais importantes e renomadas da Bélgica, Vlerick Business School. 

Geeraard de Duivelsteen, imagem do site telenet.be

Duivelsteen do outro lado, arquivo pessoal.


Voilà! Finito!
Estes são os monumentos e praças mais importantes da cidade, o centro histórico. Sobrou tempo? Quer conhecer um pouco mais de Gent? Então continue sentido sul.

12. Zuid (zona sul).
Do palacete G. Duivelsteen continue pela rua Vlaanderenstraat, você vai chegar na Zona Sul, onde fica o terminal de ônibus Zuid (sul), a Biblioteca Municipal (Bibliotheek), o prédio da prefeitura (Gemeentehuis), e em frente o Shopping Center Zuid. Ao lado esquerdo da biblioteca fica um dos prédios da Universidade de Gent, e um dos cinemas da cidade e atrás da biblioteca o Parque Koning Albert.

13. Annakerk (igreja de Santa Anna).
Uma bela igreja ao estilo italiano.

14. Vooruit (um dos teatros da cidade)
Na mesma rua do shopping, atravessando a ponte ao lado,você verá um prédio diferente, grande, curioso. No andar térreo fica o bar-café Vooruit, e dentro salas de teatro, um dos lugares mais frequentados pelos locais. Dica: lá tem internet de graça.

Teatro Vooruit, imagem do site: deredactie.be
15. Sint-Pietersplein (praça e igreja de São Pedro).
No fim da rua do Vooruit fica a praça e a igreja de São Pedro, onde acontecem vários eventos da cidade, como a corrida anual de Gentenaar, feiras, etc. Você vai reparar que esta igreja foge um pouco ao padrão das demais, com um estilo mais italianão, e não medieval.

Praça de São Pedro, arquivo pessoal.


16. Citadel Park (SMAK, MSK e Jardim Botânico).
Perto da igreja de São Pedro fica o parque Citadel, que abriga o Museu de Arte Contemporânea (SMAK, sigla em holandês) e o Museu de Belas Artes (MSK). Ao lado também fica o pequeno jardim botânico da cidade. Atravessando o parque todo você chegará quase ao lado da estação de trem onde tudo começou...

Museu MSK, imagem do site do museu: mskgent.be
Estação Central de Gent, Sint Pietersstation. Imagem do site: stad.gent

Dentro da estação, imagem: visit.gent.be
Veja cenas da gravação do filme Emperor em Gent, publicados pelo jornal nieuwsblad.be.

Deixo abaixo dois mapas turísticos da cidade de Gent, clique nos mapas para ir direito ao site e imagem. Para mais informações, perguntas, dicas, não hesite em entrar em contato.

Mapa de Gent do site: www.pizzatravel.com.ua
Mapa de Gent, tirado do site: www.parco.org

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Falando holandês

Semana passada fiz minha última prova de holandês. E finalmente posso dizer: eu falo essa língua! Depois de 5 módulos de holandês, um total de 6 meses de estudo, finalmente posso dar o feedback prometido em fevereiro, neste texto aqui

A primeira coisa que posso dizer é: ai que saudades do inglês! Se você acha inglês difícil, nem se quer tente o holandês. Eita linguinha... A coisa mais chata dessa língua é a ordem da frase. Decorar um vocabulário novo, aprender a conjugar verbos e aprender a produzir novos sons (tipo um R no fundo da garganta) eu já esperava. Agora aprender novas ordens da frase essa foi novidade. Sabe aquela regrinha básica: sujeito + verbo + resto? Então, esqueça! 

Agora a ordem vai depender da primeira palavra usada. Se for um advérbio, por exemplo "ontem", então a ordem fica: verbo+sujeiro+resto, por exemplo: "ontem comi eu pão" (em português: ontem eu comi pão).

E se a primeira palavra for uma conjunção então, vish Maria, é um verdadeiro quebra-cabeça. Conjunção + sujeito + resto + verbo. Imaginem só: "Quando eu me ontem no espelho olhado tinha..." (a ordem do português seria: quando eu tinha me olhado no espelho ontem...). 

Palavras em holandês. Imagem tirada do livro NL Nederlands Pictogrammen woordenboek Nr. 2

Daí que para falar o seu pensamento vai ter que ultrapassar a velocidade da luz, porque além de ter que traduzir as palavras e conjugar no tempo certo, você ainda vai ter q pôr na ordem certa. É literalmente uma nova forma de pensar. Não dá mais para pensar em português e falar em inglês ou em francês como fazia antes, agora preciso pensar em holandês, se não sai tudo errado. 

Superado o choque inicial, e finalmente aprendido, fico muito orgulhosa em dizer que: hoje eu falo holandês! Claro que timidamente, cometendo muitos erros, com um vocabulário pobressíssimo, mas as pessoas me entendem! E eu as entendo (ou acho que entendo). Ah não, espera, eu acho que entendo. Há um pequeno detalhe sobre o holandês, um pequeno porém com o qual nunca havia me deparado com o inglês ou o francês: os dialetos.

Durante meu curso de holandês, minhas professoras explicaram que existem 3 tipos de holandês: 

1. Padrão culto, nível alto, usado em documentos oficiais, pesquisas, Universidades, ensinado nas escolas. A forma top. 

2. Dialetos: vocabulário e até outros verbos usados por uma minoria local, ou seja, só quem é daquela vila entende. O holandês de Gent é diferente do da Antuérpia, que é diferente de Hasselt, e assim por diante... E não estou falando de sotaque não, porque este também muda de região para região. É como dizer "mandioca" no sul, "aipim" do Rio para cima, e "macaxeira" no norte. São palavras que não tem nada a ver entre elas. 

3. Língua intermediária. Os belgas aprendem na escola o holandês culto, mas muitos não gostam de falar assim de forma tão conservadora, então com o tempo foi criada uma língua intermediária, algo entre os dialetos e o padrão culto. Essa linguagem é usada principalmente pelos meios de comunicação, como jornais, seriados, rádios. Assim todos se entendem mas não precisam usar aquele clássico "vós mêcê" tão arcaico. 

E sabe o que acontece com o estrangeiro? Ele aprende o padrão culto, mas não entende nada do que as pessoas respondem. Pois é, acontece sempre comigo. Eu aprendi a palavra "hele" para todo, "de hele dag" o dia todo, mas na rua as pessoas falam "hanse", e isto não é considerado gíria. 

Então se você pensa em estudar holandês, te desejo muita boa sorte e perseverança. Quer vir estudar na Bélgica? Escrevi lá no site Brasileiras Pelo Mundo um texto dando dicas, clique aqui para ler. Quer mais dicas de sites, apps, e outras ferramentas? É só me mandar uma mensagem. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Brasileiras Pelo Mundo

Hoje venho apenas contar uma novidade. A partir de hoje sou também colaboradora do blog Brasileiras pelo Mundo. Uma vez por mês terá um textinho meu publicado por lá, sobre a Bélgica, claro! Em meu primeiro texto, contei um pouquinho sobre a costa belga, para quem quiser ler, é só clicar aqui.


Para quem não conhece, Brasileiras Pelo Mundo (clique aqui) é uma idéia muito interessante. O blog reúne mais de 60 colaboradores, brasileiras que estão morando em todas as partes do mundo, já li textos de gente que está no Haiti, Jordânia, Egito, Rússia, Peru e até Alasca! Cada uma conta ou explica um pouquinho sobre o país onde está morando, com todos os tipos de dicas, desde curiosidades até como comprar um imóvel. Lembrando que é um blog voltado principalmente para mulheres, ou seja, com dicas também de maternidade e alertas sobre abusos, entre outros. 


O Blog já até ganhou prêmio, vale a pena conferir. E a partir de hoje, sou mais uma colaboradora!

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

E a terra fez a curva!

Morando aqui dois anos, essa é a segunda vez que vivo o verão, e seu fim. E nas duas vezes tive a mesma sensação quando o fim do verão chegou: a terra fez a curva! Quase como se ela tivesse virado a esquina e entrado numa avenida fria e loooonga. 

O engraçado é que não tenho a mesma sensação com a chegada do verão ou da primavera. Essas estações deliciosas chegam aos poucos, timidamente: um dia quente, um dia frio, uma semana ensolarada, dois dias chuvosos... Até que vai esquentando, você vai se acostumando progressivamente, esquece que existe casaco (e aquela saudades imensa do Brasil, em grande parte devida ao clima, até diminui).

E de repente, a terra faz a curva! (O mais engraçado é que ela faz a curva sempre na segunda semana de setembro). Ainda temos dias bonitos, ensolarados, mas agora gelados. Porque aqui sol não é sinônimo de calor. Então é hora de você guardar os shorts no armário e tirar os casacos, isso mesmo, não há dias repentinos de calor no meio do inverno como acontece no Brasil. 

Mas sejamos positivos né, pelo menos aqui temos cores que não observamos no Brasil, exatamente pela falta do frio. Deixo aqui fotos que fiz no meu tempo de au pair, nas quais se pode ver o resultado do clima na paisagem.
Vista do meu quarto: verão
Vista do meu quarto: outono
Vista do meu quarto: inverno
Vista do meu quarto: primavera.


Parque Cinquantenaire: outono
Parque Cinquantenaire: inverno


Parque Cinquantenaire: primavera 
Parque Cinquantenaire: verão (as montagens eram para um festival)

Parque Cinquantenaire vista para o outro lado. Da esquerda para a
direita, de cima para baixo:  outono, inverno, primavera e verão.

Rua perto de casa, árvores de cerejeira outono e primavera.

A Jéssica, brasileira que mora em Lyon, na França, expressou exatamente o que sinto quando a terra faz a curva em seu texto: 23 de setembro, clique aqui para ler.

domingo, 20 de setembro de 2015

Na cabeça de um poliglota

Vida de poliglota é assim, uma mistura de línguas na cabeça, facilidade de aprender novas línguas (uma ajuda a outra), e associações que só você entende.

Estudar a primeira língua estrangeira é fácil. Todas as palavras novas que você aprende só podem ser dessa outra língua. Você vira bilingue e consegue distinguir a sua língua materna da 2ª língua sem problemas e a transição de uma para a outra é moleza. Se não é português, então só pode ser inglês.

Como você foi bem sucedido na primeira vez, decide estudar outra língua. Mas aí começam a surgir as dúvidas e as confusões, porque afinal qualquer palavra diferente da sua língua materna é em qual língua mesmo? Você lê "il" e pensa em "ele", porque em francês é assim, il = ele. Mas agora ao ler "il" tem que traduzir para "o", porque agora você decidiu estudar italiano. E "il" agora no seu novo vocabulário significa "o". Assim na sua mente IL = ele/o. 

Você sai na rua e escuta o som "ó-u", então pensa na palavra "tudo" (all) porque em inglês o som "óu" significa "tudo", mas agora você está estudando holandês e o som "óu" (al) significa "já". E na sua cabeça fica ÓU = tudo/já. E você começa a dizer frases como: "eu gosto meus livros", pensando que está dizendo "eu gosto de todos os meus livros". 

Ou quando você quer contar a um amigo que vai à aula de patinete (port). Não, quis dizer trottinette (fr), ah não, desculpe, é steppen (holandês), ah não droga, estamos falando em inglês. Alguém sabe como é patinete em inglês? 

E então você não sabe mais se plural é com 's' (fr) ou com 'en' (holandês) ou com 'i' (italiano). Mas você aprende as línguas novas e começa a separá-las na cabeça. Vai conversar em francês? Pera! Feche os olhos, pense em uma palavra em francês... Voilà, você faz o switch para mode français, et maintenant tu parles français...

E então você se depara com o maior problema dos poliglotas. Você adquiriu um enorme vocabulário em todas as línguas novas. E sabe aquela palavra exata que exprime e-x-a-t-a-m-e-n-t-e o que você está sentido. Por exemplo "saudades". Não é exatamente a mesma palavra que "to miss" (ing) ou "manquer" (fr). É saudades a palavra que você quer usar, ela tem uma força diferente... Mas como está no universo do francês, não pode usar aquela palavra em português porque o outro não vai entender (ou não vai captar a força do seu significado). E então você entende que não importa quantas palavras exatas você conhece, expressar-se será sempre um desafio.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Visto de co-habitação

Essa semana chegou o meu visto! Então nada melhor para comemorar do que abordar esse assunto! Qual o visto? Co-habitação.

Co-habi-quê? Esse é um visto criado para casais (estrangeiro + belga) que querem ficar juntos, mas...talvez se conheçam há pouco tempo... talvez não acreditem em casamento...talvez...  Pois é isso mesmo, é para os casais que ainda estão nos três pontinhos, para quem ainda não quer casar. Afinal, qual é a pressa?

Então vamos ao que interessa: documentos. Antes de entrar em  detalhes, vamos esclarecer uma coisa: no geral os documentos exigidos serão os da lista abaixo, mas pode ser que varie de região para região (Wallonie, Flandres ou Bruxelas), pode ser também que varie de nacionalidade para nacionalidade. Vou escrever sobre o procedimento para brasileiros.

1. Declaração de chegada.

Assim que o estrangeiro chegar na Bélgica terá três dias para se apresentar à Commune (prefeitura) da cidade onde vai residir,  e entregar os seguintes documentos:

  • Certidão de nascimento (recente, menos de 6 meses, traduzida e legalizada*) 
  • Declaração de estado civil (traduzida e legalizada*),
  • Duas fotos do tipo passaporte,
  • Passaporte.
Lembre-se, tenha sempre uma cópia de todos os documentos.

*Os documentos a serem legalizados devem ser primeiro legalizados pelo Itamaraty, em seguida traduzidos por um tradutor juramentado (que deverá traduzir também os carimbos do Itamaraty), e só então legalizados pelo Consulado da Bélgica (ambos, documento original e a tradução).


O estrangeiro receberá um papel da Commune declarando a data de chegada, com um prazo limite de 90 dias para permanecer no país. A Commune vai enviar seus documentos para o Ministère des Affaires Étrangères - M.A.E. (ministério das relações exteriores), e eles vão verificar se o estrangeiro tem algum registro de criminalidade no país ou tentativa anterior de casamento ou co-habitação com outro belga. 

2. Verificação da residência.

Em uma semana a polícia passará no endereço declarado para verificar se os dois moram onde disseram que moram. No geral a polícia telefona para dizer quando vai passar, ou pergunta qual é o melhor dia e horário. Muito conveniente!

Depois de um mês, mais ou menos, a Commune pedirá ao estrangeiro que retorne. Eles vão comunicar se podem ou não dar continuidade no processo, de acordo com a resposta do M.A.E. É só neste momento que o casal poderá assinar o contrato de co-habitação. Depois o estrangeiro também assinará o formulário de pedido do visto.

Feito isso, o estrangeiro receberá um visto temporário, modelo A (um tipo de cartão laranja), que lhe dará direito a permanecer no país até obter a resposta sobre o visto, no geral o processo leva 6 meses. Dependendo da nacionalidade, o estrangeiro terá ou não direito a trabalhar nesse período. No meu caso tive, mas quem disse que achei emprego? Minha amiga libanesa não teve essa autorização. Como disse antes, depende de caso a caso, de nacionalidade para nacionalidade.

Importante: com este cartão laranja, digamos um "visto em espera de visto", o estrangeiro não pode deixar a Bélgica. É isso mesmo. Não importa se na fronteira não há controle, se o estrangeiro for pego fora da Bélgica nesse meio tempo, o visto pode ser anulado. Daí fica a critério de cada um se arriscar...

3. Provas do relacionamento.

O casal terá então por volta de 2 meses para introduzir os seguintes documentos na Commune:

  • Identidade do belga
  • Prova da renda (pode ser uma cópia do contrato de trabalho do belga)
  • Prova da habitação (contrato de aluguel ou da compra do imóvel)
  • Seguro saúde do belga e do estrangeiro (o chéri me inscreveu no seguro do emprego dele)
  • E histórico (provas) de que o casal está em um relacionamento estável, seguindo um dos seguintes critérios: 
a) tenham um filho juntos; ou
b) moraram legalmente juntos há um ano; ou
c) se conhecem há 2 anos, se encontraram pelo menos 3 vezes e estiveram juntos por um período mínimo de 45 dias. Prova de que mantiveram contato regular. (No nosso caso, como fui au pair por um ano, tinhamos muito mais do que o tempo exigido).

Como comprovar tudo isso? Com fotos datas, passagens aéreas, carimbos no passaporte. Se fez intercâmbio como eu, com cópia do contrato do intercâmbio. E-mails, histórico de mensagens, de telefonemas (skype), cartas, cartões postais. (Nosso arquivo tinha mais de 200 páginas).

E depois é só esperar... Eu esperei estudando holandês. Fica a dica! Porque essa linguinha exige tempo e dedicação para aprender!

4. Buscar o visto. Fim!


No meu caso, esses foram os únicos documentos exigidos. Porém se você verificar o site do M.A.E., vai ver que eles pedem muitos e muitos outros documentos. Por exemplo, eles pedem um Certificado Médico comprovando que o estrangeiro não tem doenças como sífilis, tuberculose, entre outras. Ou Atestado de Antecedentes Criminais do país de origem. Eu, antes de vir, corri atrás de toda essa papelada, mas no fim não precisei entregar. Eu coloquei, junto com o nosso histórico, o papel médico, porque poxa, é revoltante, paguei uma nota pelos exames, pela visita ao médico e a legalização, e eles nem exigiram? Falei para a moça da Commune "só caso eles precisem, para garantir que não vão negar meu visto".

Links úteis:
Passo-a-passo para a legalização junto ao Itamaraty.
Passo-a-passo para a legalização junto ao Consulado Geral da Bélgica.
Lista de tradutores juramentos de São Paulo aqui ou aqui.
Site do Ministère des Affaires Étrangères da Bélgica


A Ana Elisa, brasileira residente em Gent, também pediu este visto. Ela também tem um blog e fez um texto muito interessante sobre o mesmo procedimento, ela teve uma experiência diferente da minha, quem quiser ler é só clicar aqui. Afinal, informação nessas horas nunca é demais.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

País bílingue: como não se perder na Bélgica

Uma coisa que eu preciso contar para vocês é sobre esse negócio de ter três línguas oficiais num país tão pequeno. Faz quase 2 anos, num total, que moro aqui, e não consigo me acostumar. Se você quer dicas para visitar e turistar na Bélgica, aqui vai uma importante. 

Vamos aos fatos. A Bélgica é um país pequeno, do tamanho do estado do Paraná, com 11 milhões de habitantes (menos que a cidade de São Paulo), mas que tem oficialmente três línguas: francês, holandês (também chamado as vezes de "flemish") e alemão (mapa abaixo). 

Mas os próprios belgas consideram o país apenas bi-língue, porque o alemão só é falado mesmo em sete cidadezinhas fronteiriças, por menos de 2% da população. O holandês é o mais popular, falado por quase 60% das pessoas (ou seja, quase metade fala uma língua, quase metade a outra: bilíngue mesmo!). 

Teoricamente a divisão é simples, a metade debaixo da Bélgica fala francês (região denominada como Wallonie), a de cima, holandês (região denominada como Flandres). 


Até aí tudo bem? Deu para acompanhar? Não há nada de estranho. Afinal fatos são fatos, certo? Então agora vamos à prática, o dia-a-dia, e a lição mais importante para os turistas (e futuros migrantes). 

Vou contar uma história que aconteceu comigo. 

Uma vez resolvi visitar a cidade de Tournai (cidade francófona). Peguei o trem em Bruxelas (cidade bilíngue). Deveria fazer baldeação em Kortrijk (cidade flemish – holandês). Antes de subir no trem, como sempre faço, anotei todas as informações (horários, plataformas, estações, nº dos trens – ida e volta) e embarquei.

Chegando em Kortrijk desci do trem (plataforma 1), eu tinha 5 minutos para trocar de trem. Fui até a plataforma do outro trem (plataforma 4 de acordo com o meu papel) e li o painel que informava em que cidades aquele trem ia parar. Não achei “Tournai”. 4 minutos. Reli de novo a lista.  Não era possível, eu tinha simplesmente pulado. Reli. Nada! NADA! 3 minutos. Olhei o número do trem, o horário, destino final. Não era possível, era aquele trem, batia com as minhas informações. Cadê Tournai na lista? 2 minutos... Sai correndo para pegar aquele trem mesmo e Deus que me acude! Trombei com o cobrador e logo perguntei em inglês mesmo (porque não falava holandês e bom... eles não gostam quando você fala em francês numa cidade flemish, fica a dica). As portas fecharam. O cobrador confirmou: eu estava no trem certo. Ufa! O trem partiu.

As setas em vermelho indicam o caminho do trem.
Descobri mais tarde que Tournai estava sim no painel, mas escrito em flemish “Doornik’. Estava em flemish porque Kortrijk é uma cidade flemish. E afinal, para que desperdiçar papel com o francês, certo?

O trem é um meio de transporte público intermunicipal. Faz o país todo. De-norte-a-sul. De holandês a francês. (Não sai da Bélgica). Quando você sobe no trem na parte francófona, todos os avisos são em francês. E somente em francês. Quando ele cruza a fronteira linguística (imaginária), todos os avisos passam a ser em holandês, e somente holandês, e sinto muito se você, francófono, não fala holandês, mesmo se a origem do trem foi de uma região francesa. E vice-versa. Pois é! Boa sorte! 

Que incógnita! E isso também vale para as estradas. Na região sul as placas das cidades estão em francês, cruzando a fronteira (a 110km/h, em segundos) elas mudam para holandês. Se é um país bilíngue, por que então as placas não são escritas nas duas línguas? Por que essa economia de tinta?

Mas o pior é que eu já perguntei para os belgas se eles aprendem na escola o nome das cidades nas duas línguas. E sabe o que responderam? Não! Eles aprendem na língua local. Então perguntei se eles se perdiam... E sim, se perdem (até se acostumarem). Até eles já me confessaram achar isso esquisito! 

Esse sistema faz sentindo num país bilíngue continental como o Canadá, afinal não dá para ir de Montreal à Vancouver no dia-a-dia para ir trabalhar... Mas a Bélgica é um país pequeno, cruzar a fronteira linguística é normal, para muitos faz parte da rotina. Eu não me sinto na Bélgica, me sinto ou na Wallonie (lado francês) ou em Flandre (holandês). A única exceção é a capital, Bruxelas. Apesar de 90% dos habitantes serem francófonos, a capital é oficialmente bilíngue. Lá tudo é sempre nas duas línguas, no trem, no metrô, nas lojas, até nas placas das ruas. Aí sim faz sentido! 



Então, para você não se perder como eu, aqui vai uma lista dos nomes das cidades nas duas línguas:



Kortrijk (holandês) = Courtrai (francês)
Doornik (hol) = Tournai (fr)
Namen (hol) = Namur (fr)
Mechelen (hol) = Malines (fr)
Antwerpen (hol) = Anvers (fr)
Gent (hol) = Gand (fr)
Bergen (hol) = Mons (fr)
Luik (hol) = Liège (fr)
Brugge (hol) = Bruge (fr)* 
Leuven (hol) = Louvain (fr)
Aalst (hol) = Alost (fr)

E uma cidade francesa que faz fronteira com o país, e portanto você verá placas nas duas línguas é Lille (fr) - Rijsel (hol). *(Bruges com "s" é em inglês).

Obs: os trens que vão para o aeroporto internacional estão sendo anunciados em francês e holandês em qualquer região do país, e agora também em inglês e alemão. Ufa! Turista se deu bem!

sábado, 15 de agosto de 2015

Sorvete Brasileiro

Curiosidades que a gente só descobre sobre o Brasil em terras estrangeiras.

Esse é um tópico que acho que vou escrever bastante. É uma curiosidade que sempre tive: quais são as ideias que os estrangeiros fazem do Brasil. E aqui achei uma bem particular: o sorvete.

Sempre que eu ia em algum restaurante ou café por aqui, me deparava com uma sobremesa no cardápio que me intrigava, o "sorvete brasileiro" (braziliaans ijs - em holandês,  glace bresilienne - francês).
A primeira vez que vi, achei que fosse uma sobremesa especial daquele restaurante em particular, mas acabei lendo em tantos outros lugares que fiquei curiosa para saber que tal de sorvete é esse que nós brasileiros tomamos. Então pedi. E me serviram a seguinte receita:
  • uma bola de sorvete de creme
  • uma bola de sorvete de mocca
  • calda de caramelo
  • e pozinho de sorvete (sabe aquela farinha de amendoim?)
  • (e chantily, mas isso é algo típico belga, eles colocam em tudo, item aliás que foi sempre opcional).
E essa foi a receita, com pequenas variações, que recebi na maioria dos lugares onde experimentei. E pensando bem, não é exatamente isso que servem nas lanchonetes no Brasil? Seja um sunday ou uma banana split, ou outro tipo,  o que nos servem é sempre a mesma coisa: 1, 2 ou 3 bolas de sorvete (nós pelo menos temos o privilégio de poder escolher o sabor), melecado com uma calda, às vezes também marshmallow, e... o tal do pozinho de amendoim! É, acho que eles acertam. Nem eu que sou brasileira tinha pensado nisso.


O mais engraçado foi quando vi esse "pozinho de sorvete" nas prateleiras dos mercados. E o nome é realmente "brasileiro", e eu achando que isso fosse algo típico para sorvete, internacional... Bom, os belgas sacaram a maneira brasileira de caprichar no sorvete, só tem um problema: o pozinho aqui não é como o nosso pozinho aí. Aqui é uma bolinha dura. Não consegui definir ainda o que é, diria um açúcar duro, porque não tem gosto de amendoim, mal dá para mastigar.


Só não entendi o porquê do sorvete mocca. No Brasil servem de chocolate mesmo, e se possível "chocolate belga"!

sábado, 11 de abril de 2015

Ronde van Vlaanderen

Tabata Senna, 11/04/2015 - Asper, BE.

O norueguês Alexander Kristoff (equipe Katusha) confirmou o favoritismo, domingo passado, ao vencer a 99ª edição do Tour de Flandres (World Tour de ciclismo), na Bélgica. Ele completou o trajeto de 264,2 km em 6h26min32seg, seguindo  pelo holandês Niki Terpstra (Etixx-Quick Step) que obteve o mesmo tempo, milésimos de segundos diferença. O belga Greg Van Avermaet (BMC) cruzou a linha de chegada sete segundos atrás.
Os favoritos começaram a se destacar nos últimos 45 kms de corrida, na subida de Koppenberg no vilarejo de Kluisbergen, quando Terpstra seguido de Van Avermaet aceleraram. Mas foi somente a 28 km da chegada, em Maarkedal, que o norueguês e o holandês se isolaram e permaneceram numa disputa pelo primeiro lugar, mantendo-se Kristoff mais vezes à frente, com uma vantagem que variava entre 14 a 30 segundos do belga Van Avermaet.
 “Este era um dos meus maiores objetivos nesta temporada e eu consegui realizar”, declarou Kristoff a UCI (Union Cycliste Internationale).
Com esta vitória, o norueguês, 27 anos, passa a ocupar o segundo lugar do ranking UCI com 233 pontos, atrás do australiano Richie Porte (303 pontos) que não participou da corrida.  Kristoff ficou em 5ª lugar no ano passado, prova vencida então pelo suíço Fabian Cancellara, que não participou este ano devido a uma queda durante a corrida “E3 Harelbeke” há alguns dias, também na Bélgica.
Terpstra, 30, ficou na 6ª posição no passado e Van Avermaet, 29, ficou em segundo.
Dois acidentes marcaram a prova. Faltando 100 kms para a linha de chegada, um dos carros de assistência, Shimano, bateu no neozelandês Jesse Sergent (Trek), 26, que acabou abandonando a prova. Um primeiro diagnóstico indicou uma fratura na clavícula. Um pouco mais tarde, outro carro Shimano bateu no carro da equipe FDJ, o qual acabou atingindo o ciclista francês Sébastien Chavanel (FDJ), 34, que havia parado por um problema técnico em sua bicicleta e também abandonou a corrida. Chavanel ficou com um hematoma na coxa direita.
Entre as mulheres, foi a primeira vez que uma italiana ganhou. Elisa Longo Borghini (Wiggle Honda - WHT), 23 anos, terminou a prova em 3h50min43seg, em um percurso de 144,9 km, também realizada ontem. A belga Jolien D’Hoore (WHT), 25, terminou em segundo seguida da holandesa Anna Van Der Breggen (Rabo Liv Women Cycling Team), 24.
Ronde van Vlaanderen (em holandês) ou Tour des Flandres (em francês) é considerada a corrida mais importante da região e uma das mais intensas, devido a um total de 19 subidas e trajetos em paralelepípedo, aumentando o nível de dificuldade. A corrida tem seu ponto de partida em Brugges, cidade turística, conhecida como a “Veneza do norte” por seus canais e pontes. Passando por cidade menores como Kortrijk e Ronse, para terminar na cidade de Oudernaarde, a quase 60km da capital, Bruxelas.
Amanhã, dia 12, será realizada a prova Paris-Roubaix, às 10h30 horário local (05h30 horário de Brasília) com um percurso de 253,5 kms.

quinta-feira, 26 de março de 2015

O segredo da batata frita belga

Quem nunca ouviu falar dos chocolates belgas? E das cervejas? Duvel, Leffe... (existem tantas cervejas que você seria capaz de tomar uma diferente todos os dias em um ano e nem se quer repetir).  Mas e as batatas fritas belgas, já ouviu falar? Huuum... Mais gostosas que os chocolates!


Eu nunca fui muito fã de batata frita e por isso demorei para provar uma aqui. Por mim, valia mais a pena gastar meu dinheiro com wafels (outra especialidade das boas) . Até que um dia provei uma batata frita de uma amiga. E minha nossa, que batata é essa?! Foi a melhor batata frita que já provei na minha vida!

Exagerada, eu? Talvez... Mas imagine uma batata mais levinha, mas mais carnuda. Com mais gosto de batata do que fritura. Crocante... Huuum... São realmente deliciosas, únicas! Se um dia você puder provar, não perca! Vale cada centavo.

Os belgas são loucos por suas batatas fritas. É possível encontrar uma "frituur" (fritura ou casa da batata frita) quase a cada esquina. Em quiosques, trailers ou lanchonetes. Moro numa cidade minúscula chamada Asper, que se resume a uma rua principal com uma igreja, uma padaria, uma escolinha, uma farmácia e... Uma frituur! Não tem nem mercado. Mas andando por aqui já vi 3 frituurs.

Elas são vendidas em cones de papelão ou potes. Dica: escolha o cone, você terá mais batatas e elas ficarão quentinhas por mais tempo. Não se assuste se te oferecerem maionese para acompanhar, eles adoram fritas com maionese. É a moda belga. Ou outros molhos, eles tem uma grande variedade.


Nos restaurantes, elas são acompanhamento de muitos pratos. Tem até o famosíssimo "Moules Frittes" (mariscos com fritas) encontrado em tudo quanto é restaurante na Bélgica. Às vezes, muitas vezes, eles comem fritas como uma refeição, o almoço, por que não?  Pois é, é ícone nacional.

Diz a história que a batata frita foi inventada pelos belgas. Algo do qual eles se orgulham muito!


Um artigo de 1781 conta que os habitantes de classe baixa de Namur pescavam e fritavam os peixinhos que conseguiam pegar nos rios Meuse ou Sambre (ambos cortam a cidade). No inverno era quase impossível pescar, assim eles se habituaram a cortar batatas em forma de peixinhos e fritar. E assim, de acordo com a lenda, foram criadas as primeiras batatas fritas.



Eles já fizeram até concurso para eleger a melhor batata frita de Bruxelas. A Maison Antoine, localizada na Place Jourdan, perto do metro Schuman, e Frit'Flagey, na Place Flagey, são até hoje consideradas as melhores.


E eu descobri o segredo!


Um dia quis fazer batata soté aqui em casa para acompanhar o bife. Mas só tinha uma tal de batata vermelha. Cozinhando descobri que elas eram diferentes. Mais duras, demoravam mais para cozinhar, e quando cozidas, que desastre, desmanchavam! Ou seja, fiz purê. Avisei que o prato original seria levemente alterado e meu namorado (que aliás é belga) foi verificar. Quando viu, ele deu risada e falou "essas batatas são para fritar".

Voilà! Descobri o segredo belga da batatas fritas!

À propósito. Você já tentou cozinhar em outro pais? Que desafio...



OBS: também é possível encontrar batatas vermelhas no Brasil, mas costumam ser mais caras.
Place Jourdan fica ao lado do metro Schuman, linhas 1 e 5.
Place Flagey acessível com os trams 81 e 83, ônibus: 38, 59, 60, 71.

Fonte: insidebrussels.be

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Aprendendo uma língua nova

Se comunicar é de fato um desafio. Se já pode ser um desafio na sua língua materna, imagina em outra. A primeira vez que fui obrigada a falar outra língua foi quando fui aos EUA, e não lembro de ter tido a metade das dificuldades que estou tendo aqui.

Inglês
Passei três meses maravilhosos lá, morando com uma família americana, frequentando a escola local, sem fazer nenhum cursinho de inglês por lá. No Brasil estudei nessas escolinhas de inglês somente um ano, e male male. Aprendi 90% do meu inglês na tv. Pois é. Através de Friends e outros seriados e filmes em inglês, assistia absolutamente todos-os-dias! Fui para os EUA completamente confiante. Claro que tive alguns problemas com a língua (por exemplo, quando eu estava cozinhando pela milionesima vez, me perguntaram se eu gostava de cozinhar e eu respondi "não não gosto de bacon" e todo mundo caiu no riso, confundi bacon com baking...), mas no geral diria que me sai muito bem.

Francês
Dessa vez a história é outra. Estudei francês por 2 anos e meio. Muito bem estudado. Sei direitinho a gramática e as pessoas dizem que escrevo muito bem. Mas na hora de falar... é um deus me acuda a cada frase. Demoro pelo menos uns cinco minutos para conseguir pensar numa frase simples. Titubeio e pareço gago falando. Depois que falo, refalo me corrigindo, os tempos verbais, os pronomes, as preposições e o gênero dos objetos. Pois é, não é fácil não!

(Um ano depois...)
Encontrei esse texto que fiz há um ano. Hoje, depois de um ano, não titubeio mais, sei conjugar os verbos e gosto mais de falar francês do que inglês (embora ainda acho mais fácil o inglês). Agora o desafio é outro... Estou estudando holandês. Eita linguinha dificil! Essa sim, vai ser punk!!!

Depois volto para contar no que deu...





segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Em breve volto...

Minha gente, me desculpe o sumiço! Infelizmente não estou mais na Bélgica. Meu visto de au pair acabou, e eu não queria arriscar ficar lá ilegal, então voltei.

Estou no Brasil desde dezembro do ano passado. Faz quase um ano. Eu tentei continuar escrevendo, mas a verdade é que me dói demais escrever e relembrar de tudo, por isso parei. Parei mas vou voltar a escrever em breve... No momento ando muito ocupada (arranjei um trabalho full-time no Brasil), mas logo trarei muitas informações porque ainda tenho muito o que compartilhar sobre aquele paizinho que eu adoro!

Até breve...



sexta-feira, 25 de abril de 2014

Couchsurfing

Para quem não conhece, couchsurfing é a ideia de hospedagem mais barata que inventaram. Traduzindo significa: surfando no sofá.

A ideia é ficar hospedado no sofá de um morador da cidade, sem pagar nada não. Mas não é hotel. Não vai achando que vai poder, por exemplo, tomar banho e ir abrindo a geladeira. Couchsurfing é a maior economia possível. E claro, conhecer algum morador, um pouco da cultura. 

Como funciona? É simples. Entre no site e crie um perfil, de viajante ou de anfitrião, ou mesmo dos dois. Preencha suas informações e depois é só procurar um sofá. Depois quando voltar, dê um retorno no site, escreva ou dê uma nota sobre seu anfitrião. Ele fará o mesmo para seu hóspede. E assim o sistema de "confiança" dado pelo site vai crescendo. Se não quiser viajar, mas está afim de conhecer pessoas novas, crie o perfil e participe dos grupos de encontros, conversação, saídas no geral e se divirta.

O que recomendo, na hora de escolher um sofá, é olhar sempre as referências de seu anfitrião e a localização. E claro, se eu fosse você, só por segurança mesmo, não iria sozinho ou pelo menos daria o endereço de onde é a casa para uns 3 amigos diferentes, vai que né... Segurança é tudo!

Fiz couchsurfing uma única vez. Fui para Colônia, na Alemanha, passar o carnaval (sim, o carnaval na Alemanha é famoso, é festar até, dentro de bares porque é frio né, mas tem gente louca de tudo quanto é tipo lá. O Carnaval costuma acontecer mais no sul do país).

Eu e minha amiga com as Tartarugas Ninjas

Quando fiz, fui com uma amiga. Achei a host 3 dias antes da viagem. Ela foi super simpática, nos orientou para chegar em sua casa, nos levou para um bar onde ia ter a festa de carnaval, e ainda nos deu a chave da sua casa. Oi? 

Pois é, a gente queria voltar mais cedo para turistar no dia seguinte. E a loucura não acaba por aí não... Ela nos deu a chave e ainda nos disse que ela mesma não tinha cópia. Nos deu a chave e contou com a nossa palavra de que acordaríamos no meio da noite para abrir a porta. Loucura! Jamais no Brasil. Mas deu super certo!

Claro que isso não vai acontecer com todos. Cada anfitrião é um anfitrião. É a casa deles, precisa confiar para abrir as portas para qualquer um. Então respeite o espaço da pessoa. 

Vista da cidade Colônia, Alemanha


terça-feira, 11 de março de 2014

Hotel ou Hostel? Ou couchsurfing? (Qual o seu orçamento?)

Como prometido, vamos às dicas de como escolher a hospedagem mais adequada. Você já sabe como escolher a melhor área da cidade para se hospedar neste post aqui, então agora é hora de ver os truques e o que priorizar na hora da reserva. Para hoteis uso o site booking, para hoStels o site hostelworld e para couchsurfing crie seu perfil no site. (o couchsurfing, é outra história né, falarei em outro post, afinal esse aqui já está bem longo). 

Hotel
Primeiro vamos falar de hotel. Hotel é sempre mais fácil, afinal você terá privacidade. Só não esqueça de conferir o horário de check-in  e check-out, localização e preço. 

HoStel
Para quem não conhece, hostel é um tipo de hotel só que mais barato. Seu custo é mais baixo pois os quartos são divididos entre os hóspedes. Ou seja, paga-se pela cama e não pelo quarto. Existem hostels que tem quarto privado, outros que você pode dividir o quarto entre 2, 4 ou até 20 pessoas. Ok, parece loucura, mas por que não? Se der para economizar e assim conhecer mais lugares... 

Para quem nunca ficou em hostel e tem um pouco de receio, posso dizer que não é tão ruim assim. Você consegue conhecer muita gente e facilmente, uma boa opção se for viajar sozinho. Fazer amizades, pegar dicas de passeios ou pode até mesmo formar grupos para saírem juntos. Dividir o quarto não é tão ruim, a menos que você dê azar e todos ronquem. 

Mas os hostels no geral variam muito de um para o outro. Alguns tem cozinha, outros oferecem café da manhã, alguns têm piscina, internet, restaurante, uns tem curfew (toque de recolher) e outros promovem festas, noitadas e até tours pela cidade. Muitas opções!

Entre no site hostelworld. Lá eles disponibilizam uma lista dos itens que o hostel oferece, fique de olho nos mais importantes, àqueles que são essenciais mesmo! Confira sempre:
  • locker (armário). Importante nos hostels pois você dividirá o quarto com outras pessoas, e não da pra sair confiando em todo mundo. Então não esqueça também de levar seu cadeado! Os armários variam de hostel para hostel, honestamente não tem como saber como eles serão, tem alguns que cabem a mala inteira e outros só uma mochila ou coisas mais importantes.
  • Safe Deposit Box (cofre na recepção). Caso o hostel não ofereça armário, esta pode ser outra opção. O safe deposit box nada mais é do que um micro armarinho ou cofre onde só cabem documentos e dinheiro, se tiver sorte também uma máquina fotográfica daquelas pequenas. Ela fica localizada no hall de entrada, e podem fechar com cadeado ou eletronicamente. Eu, francamente, prefiro o armário pois fica no quarto e é maior, mas se não tiver jeito mesmo, melhor uma safe deposit box do que nada né...
  • Recepção 24hrs.  Para àqueles que não sabem o horário de chegada e partida, fiquem atentos. Você não vai querer chegar no hostel à meia-noite e descobrir que não pode fazer o check-in, ou querer ir embora cedo e descobrir que o check-out só começa às 10h. 
  • Luggage Storage (bagageira). Imagine que você vai chegar às 8h da manhã, mas só pode fazer o check-in e se livrar do malão ao meio-dia (às vezes é ainda mais tarde). O que fazer, esperar 4hrs sentado no hall e perder tempo de turistar, ou ir explorar a cidade com o malão mesmo? Daí entra esta opção: deixe sua mala! (nada de coisas importantes como documentos hein! Isto vai sempre com você!). E vá explorar a cidade.
  • Curfew e lock out. É o seguinte, a maioria dos hostels tem curfew e lock out. O lock out significa que eles fecham o hostel por exemplo das 10h às 14hrs para limpeza, e você não pode ficar lá dentro dormindo ou se arrumando, é obrigado a sair, faça chuva ou faça sol! Se você não se importa e a ideia é explorar a cidade mesmo, então ok, siga em frente, senão, nem todos os hostels fazem isso, escolha outro.
E o curfew (toque de recolher)? HoStel não é hotel. Ou seja, a maioria não tem recepção 24hrs para você entrar e sair assim à la vonté. Alguns te oferecem as chaves para entrar e sair do prédio o que é muito cômodo. Mas alguns não, e a partir das 23h eles fecham a porta e é isso, ficou pra fora, azar! Vá festar a noite toda. Toque de recolher não é o fim do mundo, mas se seu hostel tiver, preste atenção e se programe.

Detalhezinhos importantes que fazem toda diferença não?

E para uma escolha ainda mais certeira, preste atenção em formas de pagamento: veja se aceitam cartão de credito ou debito, ou só dinheiro. Não seja pego de surpresa! - Nota dada pelos hóspedes: priorize aqueles que tem nota acima de 7.5, ou 8. Ou então leia as revisões.

Itens não tão essenciais (mas que costumo olhar também, serve como desempate).
  • Free City Map - mapa grátis da cidade (afinal é melhor pegar de graça e ainda aproveitar para tirar dúvidas sobre os melhores pontos turísticos do que pagar né?).
  • Free Internet Acess\ free wifi – internet grátis. Às vezes é bom para fazer uma pesquisa rápida, poder entrar em contato com o amigo que você ficou de encontrar, ou mesmo mandar mensagens para a família. Viajando sozinho às vezes é legal poder trocar mensagens com quem está longe, mandar fotos...
  • Hot shower - chuveiro aquecido. Porque né...
  • Linen included - roupa de cama inclusa. Para saber se você vai precisar levar seu próprio lençol  ou não (mas aconselho a sempre levar a própria toalha).
  • laundry facilities e washing machine (lavanderia e máquina de lavar roupa). Podem ser essenciais se você pretende viajar muitos dias e levar pouca bagagem. Só não esqueça que para utilizar você terá que pagar.
  • kitchen (cozinha). Se a ideia é economizar, restaurantes costumam sair caros, a menos q  você faça que nem eu e viva de McDonalds de um euro.  Se não, as cozinhas são uma boa saída para economizar. Mas não é essencial na hora da escolha do hostel.
  • Breakfast (café-da-manhã). Tenha em mente que achar um hostel com café-da-manhã incluso é luxo! E normalmente um pouco mal servido... Não leve este ponto como essencial, qualquer coisa compre uma caixa de biscoitos no mercado.
  • 24h security (segurança 24h).Não é essencial (a menos que você vá pra o Brasil), mas se oferecem, porque não né?
Se você quiser informações mais detalhadas, leia os reviews de quem já se hospedou lá. Confira sempre a localização, veja se tem transporte público por perto ou se é um lugar central.

Dica dos quartos: a gente sempre quer economizar, e os quartos com maior número de pessoas são sempre os mais baratos, mas as vezes vale a pena pagar 2, 3, 5 euros a mais por noite para ficar em um quarto com 4 pessoas ao invés de 8. Já pensou, a possibilidade de ter gente que ronca é maior no quarto com mais gente.